sexta-feira, 14 de outubro de 2011

6º Temporada de Dexter

Dexter

O inicio desta temporada se mostra realmente promissora mesmo só com os primeiros capítulos lançados podemos perceber que os roteiristas voltaram a agir de forma consciente com as expectativas dos telespectadores que esperavam a volta de roteiros mais simples, sem os “vilões” que contracenam com Dexter (Michael C. Hall) em praticamente toda uma temporada. Neste sentido estes episódios mostraram que esta temporada será uma forma de regressão aos moldes antigos, que eram, na minha opinião, melhores.
           
            Vejo que os roteiristas optaram de ao invés de colocar os “vilões”(é claro que esta palavra tem pouco sentido, mas não consigo usar outra) colocaram algo menos nítido, que seria a religião.

Certas perguntas são inevitáveis quando se pensa em religião e estas são mostradas na série, criando assim todo um clima de mistério principalmente se pensarmos nas varias incógnitas sobre este assunto.
           
            O papel da religião nesta temporada é inegável, só nos resta esperar para ver qual dos seus lados se sobressairá. 

Nova Série de Steven Spielberg


Terra Nova é uma série que se aproveita da distopia do fim do mundo para lançar seus pilares. Nos primeiros episódios somos apresentados a uma cidade futurísticas onde recursos naturais estão quase esgotados, mas com a tecnologia muito mais avançada. Graças a este desenvolvimento tecnológico foi descoberta uma fenda no espaço-tempo, dando a oportunidade assim do homem se redimir dos seus erros, e voltar para uma Terra onde os dinossauros ainda dominavam o panorama.
           
            Como exatamente esta ida irá mudar a vida na Terra é uma incógnita pouco ou nada discutida, não ouvi uma vez se quer sobre uma tentativa de resolução do paradoxo temporal, nem mesmo tímida, esta e outras características revelam que esta é uma série mais voltada para o drama familiar, seus mistérios são mais humanos do que científicos, o que acaba gerando uma ótima ficção cientifica de entretenimento.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O Casamento


Ela é uma professora de biologia, que mora no interior, e ama sua cidadezinha pequena. Ela vai casar sabia? vai ser muito feliz e vai ter filhos para ensinar a eles os costumes provincianos. Dificilmente vai ensinar biologia para eles, ela nem gosta tanto desta matéria, afinal acha aqueles alunos umas pestes.

Já te falei sobre a data do casamento, vai ser logo após ela subir um nível, e começar a ganhar mais. Por que você sabe noiva sem enxoval não é noiva.

Ela odeia sair de sua casinha, só sai para ir fazer sua especialização em botânica, isto por que ela adora flores, principalmente rosas, ela quer que seu casamento saia perfeito.

Mas como ela sorri e conversa sempre vivaz, esbanjando conhecimento, “Nossa que tempo estranho, acho que vai chover, não é verdade? “Acho que sim, a senhora é graduada deve saber dessas coisas”. “Pois é, sabe daqui a pouco eu caso....”

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Dias Normais

Dor, lagrimas... as vezes é tudo que nós temos.

Acordei lentamente, como se carregasse um peso enorme, uns mil quilos, foi assim, que me dirigi ao banheiro, no espelho vi uma visão desoladora que minava as minhas esperanças, minhas feições já não eram as mesmas, do rosto jovial pouco ou nada restava, os olhos outrora vivazes e brilhantes, agora eram opacos, sem falar em leves olheiras... Agora estavam meio inchados e um pouco avermelhados.
 Oi, Oi, vários Ois, já perdi as contas do numero de ois que distribui. Perdi até a conta de quantas vezes ouvi gente sem rosto, dizendo o quando eu parecia cansado, ou alguns mais honestos diziam, o quão preguiçoso eu era.

Vi dois gatos pretos, alias era uma sexta não uma sexta-feira treze. Era dia 9. Um dia normal.

Certos dias de tardes chuvosas, daquelas tardes sem energia, daquela tardes onde nenhum lugar é bom, no quarto, na cozinha, ou no banheiro, tudo era incomodo, nada era completo.

Noite de seu céu nublado, de céu amorfo, de céu sem estrelas, noite sem Lua, noite sem cruzeiro ou escorpião. Uma noite que não dava para ver nem o leite derramado da mãe Hera...

As vezes a unica coisa que restava para fazer era me deitar e esperar, até o sono vir e tomar conta de mim. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O Corvo

"O Corvo" é um poema de Edgar Allan Poe, provavelmente o mais famoso, e na minha opinião, um dos melhores poemas que já li. A atmosfera sombria, o personagem, a figura do corvo, e aquela frase tão marcante repetidas varias vezes, ("Nunca mais"), fizeram com que eu me apaixonasse por este poema. Infelizmente tenho que admitir que mesmo não dominando o inglês, percebo uma perca enorme com a tradução desta frase. O original é "Nevermore", que tem uma sonoridade bem diferente dá correspondente portuguesa.

Aprofundando-me no quesito tradução, encontrei e li as três principais, uma de Machado de Assis, a que li primeiro, outra de Fernando Pessoa e finalmente a de Milton Amado.

É incrível ver como elas podem ser tão diferentes. Na tradução de Machado de Assis a um certo desprezo pela estrutura original, porém com uma tradução técnica muito bem feita usando palavras adequadas, mesmo que não seguindo a estrutura de Poe.

Já Fernando Pessoa respeita e é fiel a estrutura do poema de Poe, porém erra grosseiramente ao suprimir, por exemplo, o nome de Lenora, nome que aparece varias vezes no poema original. O rigor na tradução não é tão bom como o visto na tradução de Machado e Milton Amado. Por exemplo:

Edgar Allan Poe
Ah, distinctly I remember it was in the bleak December
Machado de Assis
Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Fernando Pessoa
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro
Milton Amado
Ah! claramente eu o relembro! Era no gélido dezembro

Este foi um exemplo, evidenciando a tradução de "bleak December", onde Pessoa colocou um simples "frio", enquanto Machado e Milton colocaram, respectivamente, glacial e gélido.

Deixei por ultimo a do menos conhecido, Milton Amado, que fez uma tradução excelente, suficientemente boa para um leigo como eu perceber as suas qualidades. Milton respeita a estrutura original do poema, e ao mesmo tempo, é fiel no uso das palavras conseguindo expressar muito bem o clima criado por Edgar Allan Poe.

Fazer uma tradução de um poema é realmente difícil, e este jornalista mineiro, conseguiu tal feito, e um ainda maior, conseguiu ser mais rigoroso do que dois grandes nomes da literatura portuguesa.

As traduções de "O Corvo" de Edgar Allan Poe:
Machado de Assis

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Uma nova Pessoa

Ele estava cansado de si mesmo, mas algo nele mudou e fez com que ele nascesse novamente, ele começou a sentir que estava fazendo as escolhas certas, nesses últimos anos intensificou a sua relação com ele mesmo, começou a seguir aquela velha frase imortalizada na filosofia Socrática “Conhece-te a ti mesmo”.

Ele sentia tantas coisas novas. Sentia uma mudança, na verdade sentia estar mudando, deixando aquele passado cheio de erros para trás, estava se libertando de algumas correntes que ele mesmo tinha criado.
Começou a viver o presente, para ele não havia mais a necessidade de reclamar, ele não seria mais refém do passado. Esta nova pessoa deixaria de se preocupar demais, de se desculpar demais, de ser tímido demais.

Talvez, assim ele pudesse aproveitar melhor os momentos de felicidade, sem se considerar tão culpado. A partir de agora ele começaria a conviver com os seus problemas, de uma maneira mais seria, e também mais madura.

sábado, 20 de agosto de 2011

Os Famosos e os Duendes da Morte


Uma das experiências mais emocionantes que tive foi a de assistir “Os famosos e os duendes da morte” e agora eu explico o porque.
 
Os famosos é um filme intensamente emocional, com cenas marcantes que por trás do seu regionalismo tem uma dimensão enorme, que consegue embarcar como nenhum filme que eu já assisti o sofrimento do jovem atual, em uma sociedade padronizada.

Um dos temas do filme é o suicídio entre os jovens, o filme aborda este tópico de uma maneira indireta, mas nem por isso menos crítica.

Este filme fala dos dilemas de um jovem que vive no interior e que sofre de uma exclusão silenciosa, que tantas vezes foi retratada por imagens incríveis, alias um dos pontos fortes do filme é a fotografia.

Antes de tudo ele é um filme angustiante, com cenas tocantes como aquela do futsal. Onde ele é o ultimo a ser escolhido. Poucas pessoas sabem o que isto significa, e outras poucas sabem como é viver esta cena. O sentimento dualista de querer participar de um grupo maior e o outro de ser como é sem abrir mão de sua verdadeira essência. Ou seja, ele não quer ser chamado, mas ao mesmo tempo não quer ser excluído.

A sociedade é hipócrita; a escola as pessoas são todas opressivas, a única maneira do jovem do filme se expressar é através da internet, nela ele vive inteiramente, nela toda a sua criatividade é posta em frases magníficas como: “estar perto não é físico” e em “alucinações” que envolve uma espécie de triangulo amoroso.

Descrever este filme é difícil, ela retrata varias coisas, ele é aquele raro tipo de filme que te pega pelo sentimento, somente depois de algum tempo você começa a pensar sobre ele, mesmo assim o sentir é o ponto forte.

Sobre ele há mais perguntas do que respostas há mais sentimentos e emoções do que pensamentos e, por mais que eu fale e escreva, sinto estar negligenciando algo. 

Nada substitui a sensação de assisti-lo.

OBS.: Além da fotografia a trilha-sonora é ótima.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Expressões que não dizem a Verdade


Sabe aquele ditado "Não se compra o livro pela capa", então pode soar estranho, mas eu sempre pensei que este ditado se referia a de que livros feios podem ter conteúdos bonitos, e não que livros bonitos podem ter conteúdos feios, neste caso não havia reciprocidade.

 
Eu nunca pensei que este ditado seria uma variação de um outro igualmente conhecido Por fora bela viola, por dentro pão bolorento, pois bem, quando comecei a entender este ditado, vi que ele pode significar muitas coisas, pode parecer um pouco sem noção, mas veja bem quantas vezes nos julgam pelo rosto, nem é questão de estética, seria mais expressão.


Olham para nós e percebem um rosto absolutamente normal, talvez um pouco abatido, mas nada que chame muita atenção. Assim, nós vivemos fazendo expressões que não são as verdadeiras no momento, sorrimos, mas no fundo estamos tristes.

Volto a escrever, "Não se compra o livro pela capa", ou seja, não julgue uma pessoa por sua expressão facial, não pense que uma pessoa esta feliz, só e exclusivamente por um sorriso.

domingo, 7 de agosto de 2011

Morte e Renascimento

As pessoas vivem mudando, a todo o momento algo aparece, para mudar nossas convicções e nossos gostos sobre algo. Mesmo você não percebendo, você muda, pode estar em transformação agora neste instante, e talvez nem perceba.

Para evidenciar essas mudanças vou contar uma história: Era férias quando Pedro Augusto resolveu pegar para ler um livro de Dan Brown "O Código Da Vinci", até então ele quase nunca lia poderia dizer que tanto fazia ler ou não.

Com a escolha deste Best-Seller, Pedro mudou completamente, passou então há passar mais tempo lendo, é claro que nesta época, ele lia somente livros comerciais, sem muita qualidade, mas foi uma mudança.

Ele mudou e continuou mudando, suas posições e principalmente seus gostos, tinha deixado de ler somente Best-Sellers e começou a ler livros mais profundos e bem escritos, como eu disse antes que ele começou com Dan Brown, vou dizer qual livro fez ele mudar de perspectiva. O livro foi “Crime e Castigo”, mas tanto faz qual foi, o que verdadeiramente importa é que ele já havia construído esta mudança, “Crime e Castigo” foi o símbolo da mudança, mas poderia ter sido outro livro.

As mudanças nele continuaram, começou com literatura mas avançou a outras artes, cujas as principais até este exato momento foram Cinema e Musica, deixou de ver filmes simplórios e passou a prestar mais atenção no roteiro e na direção, e também deixou de ouvir musicas com duplos sentidos, e começou a prestar maior atenção nas letras.

Quantas vezes será que Pedro mudou? é impossível dizer, porque ele sempre estará se renovando, existiu na vida dele vários ciclos. Ele morreu e renasceu várias vezes e vai continuar mudando ainda por muito tempo.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O Homem e a Felicidade

Ele não sabia o motivo aparente, mas de uma hora para outra uma felicidade súbita emergio transformando aquela alma pacata, em uma nova pessoa. Durante uma semana, exatamente, ele apreciou esta mudança da melhor maneira possível, mas a felicidade não durou para sempre.                                                                          
Assim como todas as drogas, a felicidade quando acabou o deixou arrasado, em pânico, nos últimos dias tinha perdido todas as defesas que havia criado. Sempre, deste de jovem, se acostumou a uma vida solitária e, de repente, ele sozinho não se bastava.                                
Para ele, voltar a uma vida como antes era impensável, ele não era feliz, e agora precisava procurar aquela sensação. Ele procurou, tentou refazer o que tinha feito dias antes da felicidade súbita, mas não adiantou em nada.

Procurou por mais algum tempo, mas nada deu frutos então desistiu de procurar e só esperou que ela viesse novamente.

sábado, 23 de julho de 2011

O Artista e a Natureza

Um artista sozinho em sua casa tentava fazer um poema. Já eram altas horas da madrugada, mas o nosso pobre artista tinha perdido a concentração. Uma grande pena, pois o prazo de entrega era amanhã e ainda faltava uma estrofe.

Era um poema sobre a natureza, cheia de rios e cachoeiras, e mais alguns simples clichês. 

O nosso pobre rapaz tentava, mas não adiantava, então a natureza resolveu dar uma forcinha e mandou a ele uma adorável Maria Fedida.

Então o artista lamentou "Oh, Mãe Natureza fiz sobre ti um lindo poema e você me manda uma Maria Fedida! ".

O rapaz ,coitado, sofreu uma horrivel decepção, o seu mais lindo poema perdido por um inseto.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Cem Anos de Solidão


O livro Cem Anos de Solidão foi escrito por Gabriel Garcia Marquez, autor participante do boom literário da America Latina, ele foi até agraciado por um premio Nobel. Cem anos de Solidão não é um livro facil, muito pelo contrario, é bem difícil, tem uma estrutura que merece ser respeitada com devotamento integral, impossível lê-lo sem a devida atenção. Segundo muitos críticos sua influencia só pode ser comparada na língua espanhola com Dom Quixote.                                            


Escrever sobre este livro fantástico, é realmente difícil, é um romance que conta a historia da familia Buendía desde seu patriarca até a 7º geração, um fato interessante é que a maioria dos personagens tem os nomes de José Arcadio e Aureliano, neste livro os nomes dizem muito sobre os personagens, é como se o nome interferisse no caráter, os José Arcadio seriam os impulsivos e extrovertidos e os Aurelianos seriam mais introvertidos avessos a grandes mudanças.  



A historia se ambienta em uma aldeia fictício chamada Mocondo, que no decorrer das gerações vai se modificando, é impossível não dizer aqui a importância do capitalismo para a suas transformações, há alguns fatos memoráveis, que traz a ascensão de Mocondo e também o reverso disto. 


A confusão com nomes e grau de parentesco nesta obra é inevitável, posso até dizer que é construtivo, pois nos abriga constantemente a pararmos para pensar, quem é quem, mas mesmo assim há algumas pessoas que preferem anotar e montar uma espécie de arvore genealógica, pode ser útil, mas tira um pouco do encanto de descobrir por si mesmo. 

domingo, 17 de julho de 2011

O Homem e a Ideia

A voz irritante tinha voltado, uma voz persistente que vivia o cercando, não era uma voz vinda de seu vizinho, nem de outra pessoa, vinha dele mesmo.

Era uma ideia que o martelava dia e noite, cada vez mais persistente, ele tinha que ser ousado, mas quem disse que ele queria, sempre foi uma pessoa aficionada por estabilidade e tranquilidade porque faria uma maluquice.

Esta maluquice gastaria seu dinheiro, tiraria sua paz, o afastaria dos familiares do seu conforto, mas era o que prometera e podia muito bem ser prazeroso.

O impasse continuou por muito tempo, até que ele resolveu se vender a ideia e planejou sua partida. Assim ele deve ter suposto; que os desígnios do coração sempre vencem a razão, mesmo que seja por cansaço. 

sábado, 16 de julho de 2011

Cravos e Margaridas

Eu sempre fui alguém aberto ao novo, ao produtivo gostava de ser cercado por pessoas influentes e carismáticas, que pudessem me ensinar algo de novo, mas eu deveria saber que isto não seria para sempre.

Eu era um cravo no meio das margaridas e isto era um absurdo! como pode são diferentes não podem, eu deveria adivinhar que era cravos com cravos e margaridas com margaridas, separados.
 
Porque meu Deus, eu me lembro do tempo que ter alguém como eu por perto era um orgulho, fonte de admiração, eu sei os tempos mudam, mas precisava ser assim, como eu sofro, minha mente pode ter piorado, mas sei quem sou e o que quero.

Os cravos não podem ficar no meio das margaridas, fui isolado, fui para um canteiro que só tinha cravos, me tiraram dali e nenhuma margarida percebeu.

Lá eu sofri e quase nada aproveitei tudo porque nesta sociedade a juventude é mais valorizada do que a velhice.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Homem e as suas Lembranças

Estava uma noite fria, já passava das onze horas, mas ele não precisava se preocupar amanhã era domingo e não precisava ir ao trabalho.

A noite que começava normal acabou a mostrar-se péssima, pois quando ele menos esperava as suas lembranças mais sombrias voltaram a abalar seu coração, era como se algo já sepultado estive-se voltado, as lembranças suprimidas, foram capazes de gerar um colapso nervoso. Ele tentou de tudo, todas as alternativas que tinha em mão, ouvir musica, tentar dormir, ocupar a cabeça, nada deu frutos ele tinha que conviver com ela pelo menos aquela noite, e foi assim, não dormiu e chorou muito.Esforçou-se muito e conseguiu esquecer voltou a trabalhar e pagar as suas contas, cuidar de sua vida medíocre. Era uma vida cíclica marcada por colapsos, se é que pode se considerar vida.

A Menina e o Salgueiro

Conversamos todo o dia, na saída da escola era só eu e ela, às vezes conversávamos sobre o tempo, mas na maioria das vezes conversávamos qualquer coisa sem valor.
E foi assim no decorrer do ano, eu tentava faze-la rir, mesmo não sendo comediante eu era feliz, mas não era amigo o suficiente para perceber que ela era uma garota triste que chorava sempre embaixo de um salgueiro que ficava em um parque vazio perto de casa. Eu nunca entendi o porque, mas sempre voltava lá para vê-la chorar, um dia resolvi falar com ela, não sei por que, queria saber mais, o porquê de toda aquela tristeza, mas nunca vou descobrir ela se fechou e nunca mais conversamos e na minha longa vida nunca mais esqueci esta garota que não sei mais o nome, a menina chorosa, se eu não fosse egoísta e percebe-se a sua tristeza. Ah, agora é tarde e ela provavelmente não existe mais.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Crime e Castigo

Crime e Castigo é um livro escrito por Fiodor Dostoievski e o interressante nele é a maneira pela qual pelo qual é escrito esta obra, uma narrativa psicológica, o dom com as palavras de Dostoievski  é tão grande que não há a necessidade dele dizer, por exemplo, que o personagem esta triste, porque conseguimos entender.



O livro narra a historia de Raskólnikov um jovem estudante que por falta de dinheiro largou o curso de Direito. A historia é ambientado no submundo da cidade de São Petersburgo (Russia), bares, tabernas, becos escuros são lugares corriqueiros na narrativa, conforme Raskólnikov narra sua teoria, paira uma tensão invisível em relação a ela e qual será as suas consequencias. De uma forma genial Dostoievski consegue nos convencer a torcer para que tudo de certo para o personagem. 

Superficialismo é algo impossível de se encontrar nesta rica historia que embarca o sofrimento da alma humana em suas certezas e duvidas.


Esta obra é realmente magnífica e deve ser lida com muito esmero, por isso recomendo a todos.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Édipo Rei

Édipo Rei é um livro escrito por Sofocles um dos principais dramaturgos da Grécia Clássica juntamente com Ésquilo e Eurípides e, o interessante deste livro é a luta do personagem principal contra o seu destino.

O livro começa com a revelação de que para salvar seu povo de uma peste que se alastra pela cidade Édipo precisa encontrar o assassino do rei anterior, a partir dai começa a investigação de varias testemunhas, conforme os dialogos vão acontecendo torna-se mais claro a ligação e a importância que Édipo tem para a resolução deste caso.

A importância desta obra é tão grande que é quase certa que estudantes de psicologia, acabam vendo este livro pelo sua importância nas teorias de psicanálise, desenvolvidas por Freud.

Outro curso onde se destaca este livro é o de direito por envolver uma investigação policial, com uso de varias testemunhas.

Este é um livro indicado a todos que querem saber mais sobre a cultura Grega, mais especificamente sobre as tragédias.

Uma curiosidade é que segundo o filosofo Aristóteles, Édipo Rei é a melhor tragédia grega, a que possui todos os principais elementos para se tornar universal.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Madame Bovary

Madame Bovary é um livro escrito por Flaubert e o que o torna especial é ele fazer parte da vanguarda do realismo, em uma época marcada pelo romantismo. 

Ao escrever este livro Flaubert fez o que nenhum escritor teve coragem de fazer diretamente, discutir sobre o adultério, algo abominado pela burguesia da época, este livro rendeu-lhe até um processo na qual saiu vitorioso e pode enfim publica-lo,o que me chamou a atenção foi as descrições, diferente do romantismo suas frases não são líricas, e serve mais como uma sátira dos costumes provincianos Franceses.

No inicio da narrativa, os primeiros fatos são narrados pelo Sr. Bovary, cursante de Medicina, somente depois de algumas paginas a figura da futura Sra. Bovary aparece, tomando o rumo da narrativa. Percebe-se logo, o que aspirava aquela jovem, nutrida por romances que andavam em voga na época acreditava em amores arrebatadores, cavalheiros gentis, e o mais ingênuo que sua vida se espelharia nos romances.

Este é um livro divido por partes, conforme acontece mudanças radicais no modo de vida da Madame Bovary,o sistema de capítulos é rápido, e no começo a historia torna-se muito envolvente,um deleite, em um primeiro ponto de vista percebe-se que os detalhes dão verossimilhança a obra, porém detalhes excessivos tornam-o cansativo desviando o rumo da historia, outro quesito é a demora nos fatos principais acontecerem.


Este livro, por mim, pode tanto ser um deleite como um suplicio, o inicio com a apresentação dos personagens são espetaculares, todos os personagens a princípio são empolgantes principalmente o farmacêutico um "intelectual", claramente apoiado por ideais iluminismo, aliás vem dele uma das partes mais interessantes que desenrolam no final. Final este espetacular, um final bem traçado, que gerou em mim uma vontade de relê-lo, todo o suplicio enfrentado para ler o meio tornou-se gratificante para ler o final.

Um livro indica-do para aqueles assim como eu que gostam dos livros realistas, e este por ser vanguarda torna-se ainda mais importante.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O Diário de Anne Frank


 O Livro "O Diário de Anne Frank" é um livro muito importante que nos ajuda a entender melhor o contexto da 2º Guerra Mundial, um fato importante é ele ser narrado por uma garota, que transforma o seu diário em uma espécie de livro epistolar, com uma personagem fictícia, que seria a receptora das Cartas.


A principio a historia narra a vida de uma menina normal, diria até mimada, que obrigada pela guerra, que englobava toda a Europa, teve que amadurecer, e estas transformações foram todos narrados fato por fato, em momentos de aflição eu me sentia no lugar dela, a sua luta por um sonho, de ser algo mais que sua mãe que foi personificada no livro como as mulheres submetidas aos afazeres domésticos, acostumadas a futilidades, Anne não queria ser este tipo de pessoa, ela tinha algo que sua mãe perdeu: a ambição. Seu sonho, profético, era ser escritora e reconhecida por isto.


Este livro não é bom pelo seu linguajar ou estrutura, diria até que nem é uma forte fonte histórica da 2º Guerra ela é bom no quesito humano, ele é profundo por sua simplicidade pelo jeito que a narrativa nos envolve, você passa a conhecer Anne, e quando menos percebe torna-se intimo dela.

            Este livro é indicado para todas as pessoas, ele trata de sentimentos universais tal como a liberdade,quando eu li,eu me apaixonei por ele, e o termino foi quase que uma ruptura, o cortar de um laço, criado de forma despretensiosa, pura e honesta. Ao termino dele vi com outros olhos o mundo que nos cerca.                                      E principalmente percebi algo no sorriso e nos olhos dela, algo que nunca havia acontecido, no principio normais, mais depois profundos cheio de sentimentos.      

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Grande Sertão: Veredas

O livro Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa é uma das obras mais importantes da literatura brasileira e chamou minha atenção por seu numero de paginas – mais de 600 páginas – e pela ausência de capítulos, o que é muito estranho, pois eu tenho o costume de parar de ler no fim dos capitulos.
Grande Sertão: Veredas é um livro contado por Riobaldo um jagunço do sertão mineiro que narra para um interlocutor misterioso sobre seus medos, amores, aventuras e dúvidas.Algo importante é que o interlocutor só pode ser identificado melhor por meio dos próprios comentários feitos por Riobaldo.

No livro são são narradas duas guerras importantes:

Uma envolvendo a tropa de Joca Ramico,cujo um dos pertencentes era Riobaldo,contra Zé Bebelo e os soldados do Governo e a outra Hermógenes e Ricardão, assassinos de Joca Ramiro,contra Zé Bebelo que vira o chefe da antiga tropa de Joca Ramiro.

O espaço geral da obra é o sertão e os nomes citados são muito estranhos e a linguagem do livro é muito difícil e complicada,cheia de neologismos.Por isso,e por outros motivos o livro torna-se uma espécie de labirinto devido a forma que Riobaldo narra: narrando da maneira que mais lhe convém ou conforme os episódios venham a cabeça.Portando não se deve ler esta obra magnífica pensando que ela seguira um ordem cronológica.Ela é realmente um desafio,e deve ser lida com muito atenção.

O impacto desta obra  é tão grande que vim a conhece-la melhor através de um biógrafo de Clarice Lispector (um americano)que comentou sobre ele em um de suas entrevistas.

Este livro guarda uma grande historia que faz você se surpreender do inicio ao fim,o fim principalmente,mas é melhor parar por aqui,não quero estragar o final.

Espero que leiam este clássico da literatura brasileira,porque vocês não vão se arrepender.

sábado, 28 de maio de 2011

Hibernação

Hibernação segundo o site Wikipedia é:Um estado letárgico pelo qual muitos animais endotérmicos, em grande maioria de pequeno porte, passam durante o inverno, principalmente em regiões temperadas e árticas. Os animais mergulham num estado de sonolência e inatividade, em que as funções vitais do organismo são reduzidas ao absolutamente necessário à sobrevivência.

Entendendo-se no sentido Conotativo,pode-se entender que passei por um período de inatividade intelectual.Mais um promessa jogada ao vento,mas um desafio perdido,sem drama posso dizer que me arrependo,manter um Blog acesso e efervescente é muito mais difícil do que pensei.

Espero voltar,e não ser mais vencido pela ociosidade.

Até Mais

sábado, 23 de abril de 2011

Livro do Mês:O Cobrador de Rubem Fonseca

Por uma feliz coincidência descobri que o livro que estou lendo O Cobrador é o Livro do Mês segundo o portal de Literatura do Wikipedia,o que foi uma coincidencia em dobro pois eu nem sabia que existia este portal.
Aqui esta o trecho retirado do site:

" "O Cobrador de Rubem Fonseca
Publicado em 1979 e um dos grandes sucessos de Rubem FonsecaO Cobrador é um livro de contos bastante conhecido pela sua visão fria e cruel da sociedade. O autor, com linguagem simples e objetiva, descreve em mínimos detalhes a natureza perversa do ser humano nas grandes cidade.
O conto que dá título à obra é um texto que resume muitas características dos trabalhos do autor. Nele é contado o Dia de Fúria do personagem que, cansado de ser explorado pela sociedade, resolve sair à forra cobrando tudo o que lhe era devido."
Trecho do livro
  • "São quatrocentos cruzeiros.
Só rindo. Não tem não, meu chapa, eu disse.
Não tem não o quê?
Não tem quatrocentos cruzeiros. Fui andando em direção à porta.
Ele bloqueou a porta com o corpo. É melhor pagar, disse. Era um homem grande, mãos grandes e pulso forte de tanto arrancar os dentes dos fodidos. E meu físico franzino encoraja as pessoas. Odeio dentistas, comerciantes, advogadas, industriais, funcionários, médicos, executivos, essa canalha inteira. Todos eles estão me devendo muito. Abri o blusão, tirei o 38, e perguntei com tanta raiva que uma gota de meu cuspe bateu na cara dele, -- que tal enfiar isso no teu cu? Ele ficou branco, recuou. Apontando o revólver para o peito dele comecei a aliviar o meu coração: tirei as gavetas dos armários, joguei tudo no chão, chutei os vidrinhos todos como se fossem balas, eles pipocavam e explodiam na parede. Ar­rebentar os cuspidores e motores foi mais difícil, cheguei a machucar as mãos e os pés. O dentista me olhava, várias vezes deve ter pensado em pular em cima de mim, eu queria muito que ele fizesse isso para dar um tiro naquela barriga grande cheia de m****"."
Espera que assim como eu,resolva ler este livro que além de ser bem escrito,com suas partes politicamente incorretas é quase sempre pedidos em concursos e vestibulares

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Faça um Esconderijo dentro de um Livro

Em uma dessas andanças no YouTube encontrei um canal bem legal com experiências de química, física e outras coisinhas mais,foi então que encontrei este vídeo mostrando como criar um esconderijo dentro de um livro,então resolvi posta-lo aqui.Acho que coisas proveitosas devem continuar e para isso eu dou uma força aos integrantes do Canal Manual do Mundo.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

William Harvey e René Descartes

Vejam a frase a baixo retirada do Wikipédia:


William Harvey (1578—1657) foi um médico britânico que pela primeira vez descreveu corretamente os detalhes do sistema circulatório do sangue ao ser bombeado por todo o corpo pelo coração.


Não acharam algo de estranho,na 7º Serie ao estudar o sistema circulatório me deparei com uma frase parecida com esta e fiquei me perguntando o porque de descobrirem tão tardiamente sobre a circulação sanguínea,bem desde estão esta duvida tinha  me incomodado foi então que sem querer acabei descobrindo o porque lendo um livro de Psicologia aqui esta o trecho:


"Neste período, René Descartes (1596-1659) um, dos filósofos que mais contribuiu para o avanço da ciência, postula a separação entre mente (alma, espírito) e corpo, afirmando que o homem possui uma substância material e uma substância pensante, e que o corpo, desprovido do espírito, é apenas uma máquina. Esse dualismo mente-corpo torna possível o estudo do corpo humano morto, e que era impensável nos séculos anteriores (o corpo era considerado sagrado pela Igreja por ser a essência da alma), e dessa forma possibilita o avanço da anatomia e da fisiologia."


Agora compare as datas René Descartes (1596-1659),William Harvey (1578-1657),os dois nasceram no mesmo período,agora imagina o quando hoje estaríamos avançados em anatomia e  fisiologia se a Igreja não proibi-se o estudo dos corpos mortos,diria que a neste quesito a Igreja atrasou em uns 300 anos a ciência anatômica(um avaliação otimista).

terça-feira, 19 de abril de 2011

A Lenda de Narciso – Mitologia Grego-Romana


Olá Leitores,
Hoje Trago a Vocês um dos mitos mais conhecidos do mundo,mito que gerou a palavra narcisismo.
Há milhares de anos atrás, na antigüidade mais remota do povo grego, nas terras da Beócia , nasceu Narciso, filho do rio Cefiso, que tomara à força a ninfa Liríope. Narciso era belíssimo e sua mãe, ansiosa por saber-lhe o futuro, procurou um famoso adivinho: o cego Tirésias. Na luz de sua escuridão Tirésias viu e disse:
- Narciso terá vida longa contanto que não se conheça nunca!
Liríope nada entendeu e mesmo consultando os mais sábios, não conseguiu decifrar o enigma daquelas palavras. Enfim, esqueceu a profecia.
Narciso cresceu com os traços e as formas de um deus. Assediado pelas ninfas fugia de todas entretido com os jogos de caça, indiferente ao sofrimento das paixões não correspondidas que despertava.
Um dia, porém, cansado de longa jornada, quedou-se na relva à beira de um lago e, inclinando-se a fim de beber, pois tinha sede, eis que na superfície estática da água, deparou-se Narciso com o reflexo perfeito do próprio rosto, coisa que nunca vira antes em toda a sua vida. Extasiou-se. Nas palavras de Ovídio, assim reagiu o jovem, enamorado de si mesmo:
"...o rosto fixo, absorvido com esse espetáculo, ele parece uma estátua de mármore de Paros. Deitado no solo, contempla dois astros, seus próprios olhos, e seus cabelos, dignos de Baco, dignos também de Apolo, suas faces imberbes, seu pescoço de marfim, sua boca encantadora e o rubor que colore a nívea brancura de sua pele. Admira tudo aquilo que suscita a própria admiração. Em sua ingenuidade, deseja a si mesmo. A si mesmo dedica seus próprios louvores. Ele mesmo inspira os ardores que sente. Ele é o elemento do fogo que ele próprio acende. E quantas vezes dirigiu beijos vãos à onda enganadora! Quantas vezes, para segurar seu pescoço ali refletido, inutilmente mergulhou os braços no meio das águas. Não sabe o que está vendo, mas o que vê excita-o e o mesmo erro que lhe engana os olhos acende-lhe a cobiça. Crédula criança, de que servem estes vãos esforços para para possuir uma aparência fugitiva ? O objeto de teu desejo não existe. O objeto de teu amor, vira-te e o farás desaparecer. Esta sombra que vês é um reflexo de tua imagem. Não é nada em si mesma; foi contigo que ela apareceu, e persiste, e tua partida a dissiparia, se tivesses coragem de partir."

Mas Narciso não partiu. Ali permaneceu, paralisado de amor pela imagem aprisionada no espelho d'água. Não comia, não bebia para não se afastar por nem um segundo da imagem no lago, não dormia. Definhou. Morreu, afinal, de fome, de sede, de exaustão*. Depois de morto, ainda assim não teve paz: nas profundezas do Hades, Narciso continua sua auto-contemplação debruçado às margens do rio Estige. Na superfície da terra, nos bosques, as ninfas pretendem fazer as cerimônias fúnebres, mas eis que o corpo desapareceu e no seu lugar brotou a flor amarela e branca que hoje conhecemos pelo nome daquele que amou somente a si mesmo.

*Segundo outras versões ele se afogou.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Filosofia Medieval:Santo Agostinho e São Tomas de Aquino

Olá Leitores,
Hoje o meu post é sobre filosofia espera que gostem.


Filosofia Medieval

Vai do século VIII ao XIV. Nessa fase, a Igreja dominava a Europa e a filosofia ensinada nas escolas era a escolástica, que representa o último período do pensamento cristão. É o oposto da patrística, pois, para esta, o interesse é o religioso, e naquela o interesse é a elaboração da filosofia cristã.

Santo Agostinho – Platonismo Cristão

Nasceu em Tagaste no ano de 354 d.C. no norte da África e morreu quando era bispo em Hipona, em 430 d.C.
Tinha um pai pagão e mãe cristã. Segundo ele, foi a leitura do Cícero, que o fez se interessar por Filosofia.

Em um primeiro momento de sua jornada filosófica, adere ao maniqueísmo, pensamento que afirmava a existência de dois princípios opostos no universo (o Bem e o Mal) que tratavam luta eterna e equivalente.

O filósofo faz parte da chamada Patrística, filosofia cristã dos primeiros séculos da Idade Média.

Antes de Santo Agostinho, a História era concebida como uma sucessão de fatos, que se respeitam ciclicamente. Não havia uma noção de sentido nos fatos: tudo era apenas uma coleção de acontecimentos.

Três foram as contribuições filosóficas do pensamento de Santo Agostinho: Sua solução para a questão da oposição entre fé e a razão, ou seja, quais são os limites da razão e em que momento se deve usar a fé para compreender a verdade. A Teoria do Conhecimento, centrada na ideia de interioridade e uma concepção de uma nova visão histórica do mundo, que acrescenta sentido a um processo histórico.

Seu pensamento se constrói a partir da influência de duas fontes:
Do neoplatonismo de Plotino e dos ensinamentos bíblicos de São Paulo e do Evangelho de São João.
O platonismo é tido como uma antecipação do cristianismo. De fato, Agostinho defende a posição de que a filosofia platônica seria uma preparação de alma e até um conhecimento útil para que se possa ter a compreensão da verdade revelada por Cristo.

A questão desenvolvida por ele é a seguinte:
Como a mente humana é falível, mutável e, assim, imperfeita, poderia compreender a verdade que é eterna, infalível e perfeita?
Santo Agostinho tem consciência da resposta que Platão tem para a pergunta: a verdade não pode ser ensinada; tudo o que o filosofo pode fazer é servir de instrumento para fazer com que essa verdade possa vir à tona (ou já trazemos com a virtude conosco ou nenhum mestre será capaz de ensiná-la, já que ela é parte essencial da alma humana).

Teoria da Iluminação:
Agostinho não aceita a teoria da reminiscência platônica, considerando-a incompleta, mas constrói uma teoria da iluminação: a verdade interior é o próprio Cristo que ilumina a alma humana para empreender a compreensão. A alma humana possui uma centelha divina que lhe permite compreender a verdade.
Sua concepção filosófica estabelece claramente uma relação interior-exterior, colocando na interioridade humana a morada da Verdade. É nesse sentido que se pode compreender sua famosa frase “Homine habital veritas” (No homem interior habita a verdade).
É dito que Santo Agostinho é o principal filosófico a construir uma idéia de interioridade.

Suas Principais Obras:
De Magistro (Do Mestre), Contra os Acadêmicos, na qual critica o ceticismo em defesa da verdade revelada, Contra os Maniqueus, Confissões, Sobre a Doutrina Cristã, Sobre a Trindade e A Cidade de Deus.

“Se não credes, não entendereis!”


São Tomás de Aquino – Pensamento Aristotélico

Nasceu em Roccasecca no ano de 1225 d.C. e morreu em 1274 d.C.
O filósofo faz parte da chamada Escolástica, filosofia que estava envolvida com uma determinada escola.
É nesse contexto que São Tomás, frade dominicano e professor da universidade de Paris, é responsável por um acréscimo importante na filosofia cristã, pois foca seus esforços numa reinterpretação da filosofia aristotélica para adaptá-la ao pensamento cristão. É importante dizer que a obra aristotélica até então tinha sido colocada de lado e até mesmo seu estudo proibido sob acusação de heresia. A base do pensamento da Igreja Católica ainda era, em grande medida, a interpretação cristã da filosofia platônica feita por Santo Agostinho. Coube ao esforço de São Tomás trazer à luz o pensamento de Aristóteles.

São Tomás faz uso da filosofia para compreender a religião, no problema entre a fé e a razão.

O objetivo da filosofia de Tomás de Aquino é “combater os hereges” em seu próprio terreno: o campo da razão.

Seu êxito foi tão grande que foi praticamente oficializada pela Igreja, tornando-se parte do conjunto de dogmas eclesiásticos.

Um assunto essencial:
As provas racionais da existência de Deus, como São Tomás faz uso do pensamento filosófica para compreender o universo da religião, na problemática entre fé e razão.

Existência de Deus:
Não se tem conhecimento autoevidente de Deus. O que há é um conhecimento confuso da existência de Deus.
Sabemos que existe algo, mas não sabemos exatamente o quê. É como saber da aproximação de uma pessoa, mas não saber quem é essa pessoa.

Se a existência de Deus pode ser demonstrada:
Embora não possamos conhecer a essência de Deus, podemos demonstrar que Ele existe.


Como demonstrar a existência de Deus – as cinco vias da prova:

1ª via - Argumento do movimento: Deus é o motor que move tudo sem ser movido.

2ª via - Argumento da causa eficiente: é necessário que haja uma causa eficiente primeiro, que é Deus, do contrário não haveria nenhum efeito, pois cada causa pediria uma outra numa sequência infinita.

3ª via - Argumento cosmológico: nem tudo pode ser contingente; visto que o universo existe, é preciso haver algo que o criou. .

4ª via - Argumento da perfeição: verifica-se que há graus de perfeição nos seres, uns são mais perfeitos que os outros, qualquer graduação pressupõe um parâmetro máximo, logo deve existir um ser que tinha este padrão máximo de perfeição e que é a causa da perfeição dos demais seres.

5ª via - Argumento de inteligência ordenada: existe uma ordem no universo que é facilmente verificada, ora toda ordem é fruto de uma inteligência, não se chega à ordem pelo acaso e nem pelo caos, logo há um ser inteligente que dispõe o universo na forma ordenada.

Sua contribuição está no fato de que não é apenas mais pela fé que podemos comprovar a existência de Deus. Alem disso, seus argumentos vão contra a ideia de que é possível conhecer Deus sem consultar seus efeitos, ou seja, sem partir do mundo sensível.

“Três coisas são necessárias para a salvação do homem: saber o que deve crer, saber o que deve desejar, saber o que deve fazer”

Abre-se, assim, um novo contexto de revalorização filosófica que terá resultados inéditos para a história do pensamento nos séculos seguintes.

Suas Principais Obras:
Sobre o Ente e Essência, Suma contra os Gentios, Sobre a Verdade e a fundamental obra Suma Teológica.

Resumindo:
·        O pensamento cristão surge da junção de suas ideias, de suas raízes judaicas e do pensamento grego (helenismo).
·        Santo Agostinho apresenta sua filosofia por meio de sua interpretação crista das obras platônicas.
·        São Tomás de Aquino proporciona a aproximação do pensamento cristão com a filosofia de Aristóteles, suas ideias renovam o pensamento filosófico e abre certo espaço para o conhecimento do mundo sensível. 


Participaram deste trabalho além de mim:Paula Moro e Herlita Raats