segunda-feira, 18 de abril de 2011

Filosofia Medieval:Santo Agostinho e São Tomas de Aquino

Olá Leitores,
Hoje o meu post é sobre filosofia espera que gostem.


Filosofia Medieval

Vai do século VIII ao XIV. Nessa fase, a Igreja dominava a Europa e a filosofia ensinada nas escolas era a escolástica, que representa o último período do pensamento cristão. É o oposto da patrística, pois, para esta, o interesse é o religioso, e naquela o interesse é a elaboração da filosofia cristã.

Santo Agostinho – Platonismo Cristão

Nasceu em Tagaste no ano de 354 d.C. no norte da África e morreu quando era bispo em Hipona, em 430 d.C.
Tinha um pai pagão e mãe cristã. Segundo ele, foi a leitura do Cícero, que o fez se interessar por Filosofia.

Em um primeiro momento de sua jornada filosófica, adere ao maniqueísmo, pensamento que afirmava a existência de dois princípios opostos no universo (o Bem e o Mal) que tratavam luta eterna e equivalente.

O filósofo faz parte da chamada Patrística, filosofia cristã dos primeiros séculos da Idade Média.

Antes de Santo Agostinho, a História era concebida como uma sucessão de fatos, que se respeitam ciclicamente. Não havia uma noção de sentido nos fatos: tudo era apenas uma coleção de acontecimentos.

Três foram as contribuições filosóficas do pensamento de Santo Agostinho: Sua solução para a questão da oposição entre fé e a razão, ou seja, quais são os limites da razão e em que momento se deve usar a fé para compreender a verdade. A Teoria do Conhecimento, centrada na ideia de interioridade e uma concepção de uma nova visão histórica do mundo, que acrescenta sentido a um processo histórico.

Seu pensamento se constrói a partir da influência de duas fontes:
Do neoplatonismo de Plotino e dos ensinamentos bíblicos de São Paulo e do Evangelho de São João.
O platonismo é tido como uma antecipação do cristianismo. De fato, Agostinho defende a posição de que a filosofia platônica seria uma preparação de alma e até um conhecimento útil para que se possa ter a compreensão da verdade revelada por Cristo.

A questão desenvolvida por ele é a seguinte:
Como a mente humana é falível, mutável e, assim, imperfeita, poderia compreender a verdade que é eterna, infalível e perfeita?
Santo Agostinho tem consciência da resposta que Platão tem para a pergunta: a verdade não pode ser ensinada; tudo o que o filosofo pode fazer é servir de instrumento para fazer com que essa verdade possa vir à tona (ou já trazemos com a virtude conosco ou nenhum mestre será capaz de ensiná-la, já que ela é parte essencial da alma humana).

Teoria da Iluminação:
Agostinho não aceita a teoria da reminiscência platônica, considerando-a incompleta, mas constrói uma teoria da iluminação: a verdade interior é o próprio Cristo que ilumina a alma humana para empreender a compreensão. A alma humana possui uma centelha divina que lhe permite compreender a verdade.
Sua concepção filosófica estabelece claramente uma relação interior-exterior, colocando na interioridade humana a morada da Verdade. É nesse sentido que se pode compreender sua famosa frase “Homine habital veritas” (No homem interior habita a verdade).
É dito que Santo Agostinho é o principal filosófico a construir uma idéia de interioridade.

Suas Principais Obras:
De Magistro (Do Mestre), Contra os Acadêmicos, na qual critica o ceticismo em defesa da verdade revelada, Contra os Maniqueus, Confissões, Sobre a Doutrina Cristã, Sobre a Trindade e A Cidade de Deus.

“Se não credes, não entendereis!”


São Tomás de Aquino – Pensamento Aristotélico

Nasceu em Roccasecca no ano de 1225 d.C. e morreu em 1274 d.C.
O filósofo faz parte da chamada Escolástica, filosofia que estava envolvida com uma determinada escola.
É nesse contexto que São Tomás, frade dominicano e professor da universidade de Paris, é responsável por um acréscimo importante na filosofia cristã, pois foca seus esforços numa reinterpretação da filosofia aristotélica para adaptá-la ao pensamento cristão. É importante dizer que a obra aristotélica até então tinha sido colocada de lado e até mesmo seu estudo proibido sob acusação de heresia. A base do pensamento da Igreja Católica ainda era, em grande medida, a interpretação cristã da filosofia platônica feita por Santo Agostinho. Coube ao esforço de São Tomás trazer à luz o pensamento de Aristóteles.

São Tomás faz uso da filosofia para compreender a religião, no problema entre a fé e a razão.

O objetivo da filosofia de Tomás de Aquino é “combater os hereges” em seu próprio terreno: o campo da razão.

Seu êxito foi tão grande que foi praticamente oficializada pela Igreja, tornando-se parte do conjunto de dogmas eclesiásticos.

Um assunto essencial:
As provas racionais da existência de Deus, como São Tomás faz uso do pensamento filosófica para compreender o universo da religião, na problemática entre fé e razão.

Existência de Deus:
Não se tem conhecimento autoevidente de Deus. O que há é um conhecimento confuso da existência de Deus.
Sabemos que existe algo, mas não sabemos exatamente o quê. É como saber da aproximação de uma pessoa, mas não saber quem é essa pessoa.

Se a existência de Deus pode ser demonstrada:
Embora não possamos conhecer a essência de Deus, podemos demonstrar que Ele existe.


Como demonstrar a existência de Deus – as cinco vias da prova:

1ª via - Argumento do movimento: Deus é o motor que move tudo sem ser movido.

2ª via - Argumento da causa eficiente: é necessário que haja uma causa eficiente primeiro, que é Deus, do contrário não haveria nenhum efeito, pois cada causa pediria uma outra numa sequência infinita.

3ª via - Argumento cosmológico: nem tudo pode ser contingente; visto que o universo existe, é preciso haver algo que o criou. .

4ª via - Argumento da perfeição: verifica-se que há graus de perfeição nos seres, uns são mais perfeitos que os outros, qualquer graduação pressupõe um parâmetro máximo, logo deve existir um ser que tinha este padrão máximo de perfeição e que é a causa da perfeição dos demais seres.

5ª via - Argumento de inteligência ordenada: existe uma ordem no universo que é facilmente verificada, ora toda ordem é fruto de uma inteligência, não se chega à ordem pelo acaso e nem pelo caos, logo há um ser inteligente que dispõe o universo na forma ordenada.

Sua contribuição está no fato de que não é apenas mais pela fé que podemos comprovar a existência de Deus. Alem disso, seus argumentos vão contra a ideia de que é possível conhecer Deus sem consultar seus efeitos, ou seja, sem partir do mundo sensível.

“Três coisas são necessárias para a salvação do homem: saber o que deve crer, saber o que deve desejar, saber o que deve fazer”

Abre-se, assim, um novo contexto de revalorização filosófica que terá resultados inéditos para a história do pensamento nos séculos seguintes.

Suas Principais Obras:
Sobre o Ente e Essência, Suma contra os Gentios, Sobre a Verdade e a fundamental obra Suma Teológica.

Resumindo:
·        O pensamento cristão surge da junção de suas ideias, de suas raízes judaicas e do pensamento grego (helenismo).
·        Santo Agostinho apresenta sua filosofia por meio de sua interpretação crista das obras platônicas.
·        São Tomás de Aquino proporciona a aproximação do pensamento cristão com a filosofia de Aristóteles, suas ideias renovam o pensamento filosófico e abre certo espaço para o conhecimento do mundo sensível. 


Participaram deste trabalho além de mim:Paula Moro e Herlita Raats

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