domingo, 17 de julho de 2011

O Homem e a Ideia

A voz irritante tinha voltado, uma voz persistente que vivia o cercando, não era uma voz vinda de seu vizinho, nem de outra pessoa, vinha dele mesmo.

Era uma ideia que o martelava dia e noite, cada vez mais persistente, ele tinha que ser ousado, mas quem disse que ele queria, sempre foi uma pessoa aficionada por estabilidade e tranquilidade porque faria uma maluquice.

Esta maluquice gastaria seu dinheiro, tiraria sua paz, o afastaria dos familiares do seu conforto, mas era o que prometera e podia muito bem ser prazeroso.

O impasse continuou por muito tempo, até que ele resolveu se vender a ideia e planejou sua partida. Assim ele deve ter suposto; que os desígnios do coração sempre vencem a razão, mesmo que seja por cansaço. 

4 comentários:

Victor Fisch disse...

o título e o formato de pequenos textos me lembram o livro de contos Um Médico Rural, do kafka.

Everton Paschoal disse...

Eu ainda não tive a oportunidade de ler "Um Médico Rural" de kafka, só tive a oportunidade de ler "A Metamorfose" mas, agora fiquei curioso para ler este livro de contos, talvez eu leia depois de "O Processo". Obrigado pelo comentário e dica.

hnrchcrnh disse...

Toda partida é um parto: ruptura e chegada, rompimento e compromisso.

Não sei se a culpa é minha ou não, mas vejo (com gosto!) que a tentação de fazer literatura não lhe poupou... Aguardo belas coisas!

Everton Paschoal disse...

Nossa, o seu comentário ficou mais bonito que o meu post, as palavras escolhidas soaram como poesia.

E sim, em parte a culpa é sua. ^^