sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O Casamento


Ela é uma professora de biologia, que mora no interior, e ama sua cidadezinha pequena. Ela vai casar sabia? vai ser muito feliz e vai ter filhos para ensinar a eles os costumes provincianos. Dificilmente vai ensinar biologia para eles, ela nem gosta tanto desta matéria, afinal acha aqueles alunos umas pestes.

Já te falei sobre a data do casamento, vai ser logo após ela subir um nível, e começar a ganhar mais. Por que você sabe noiva sem enxoval não é noiva.

Ela odeia sair de sua casinha, só sai para ir fazer sua especialização em botânica, isto por que ela adora flores, principalmente rosas, ela quer que seu casamento saia perfeito.

Mas como ela sorri e conversa sempre vivaz, esbanjando conhecimento, “Nossa que tempo estranho, acho que vai chover, não é verdade? “Acho que sim, a senhora é graduada deve saber dessas coisas”. “Pois é, sabe daqui a pouco eu caso....”

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Dias Normais

Dor, lagrimas... as vezes é tudo que nós temos.

Acordei lentamente, como se carregasse um peso enorme, uns mil quilos, foi assim, que me dirigi ao banheiro, no espelho vi uma visão desoladora que minava as minhas esperanças, minhas feições já não eram as mesmas, do rosto jovial pouco ou nada restava, os olhos outrora vivazes e brilhantes, agora eram opacos, sem falar em leves olheiras... Agora estavam meio inchados e um pouco avermelhados.
 Oi, Oi, vários Ois, já perdi as contas do numero de ois que distribui. Perdi até a conta de quantas vezes ouvi gente sem rosto, dizendo o quando eu parecia cansado, ou alguns mais honestos diziam, o quão preguiçoso eu era.

Vi dois gatos pretos, alias era uma sexta não uma sexta-feira treze. Era dia 9. Um dia normal.

Certos dias de tardes chuvosas, daquelas tardes sem energia, daquela tardes onde nenhum lugar é bom, no quarto, na cozinha, ou no banheiro, tudo era incomodo, nada era completo.

Noite de seu céu nublado, de céu amorfo, de céu sem estrelas, noite sem Lua, noite sem cruzeiro ou escorpião. Uma noite que não dava para ver nem o leite derramado da mãe Hera...

As vezes a unica coisa que restava para fazer era me deitar e esperar, até o sono vir e tomar conta de mim. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O Corvo

"O Corvo" é um poema de Edgar Allan Poe, provavelmente o mais famoso, e na minha opinião, um dos melhores poemas que já li. A atmosfera sombria, o personagem, a figura do corvo, e aquela frase tão marcante repetidas varias vezes, ("Nunca mais"), fizeram com que eu me apaixonasse por este poema. Infelizmente tenho que admitir que mesmo não dominando o inglês, percebo uma perca enorme com a tradução desta frase. O original é "Nevermore", que tem uma sonoridade bem diferente dá correspondente portuguesa.

Aprofundando-me no quesito tradução, encontrei e li as três principais, uma de Machado de Assis, a que li primeiro, outra de Fernando Pessoa e finalmente a de Milton Amado.

É incrível ver como elas podem ser tão diferentes. Na tradução de Machado de Assis a um certo desprezo pela estrutura original, porém com uma tradução técnica muito bem feita usando palavras adequadas, mesmo que não seguindo a estrutura de Poe.

Já Fernando Pessoa respeita e é fiel a estrutura do poema de Poe, porém erra grosseiramente ao suprimir, por exemplo, o nome de Lenora, nome que aparece varias vezes no poema original. O rigor na tradução não é tão bom como o visto na tradução de Machado e Milton Amado. Por exemplo:

Edgar Allan Poe
Ah, distinctly I remember it was in the bleak December
Machado de Assis
Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Fernando Pessoa
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro
Milton Amado
Ah! claramente eu o relembro! Era no gélido dezembro

Este foi um exemplo, evidenciando a tradução de "bleak December", onde Pessoa colocou um simples "frio", enquanto Machado e Milton colocaram, respectivamente, glacial e gélido.

Deixei por ultimo a do menos conhecido, Milton Amado, que fez uma tradução excelente, suficientemente boa para um leigo como eu perceber as suas qualidades. Milton respeita a estrutura original do poema, e ao mesmo tempo, é fiel no uso das palavras conseguindo expressar muito bem o clima criado por Edgar Allan Poe.

Fazer uma tradução de um poema é realmente difícil, e este jornalista mineiro, conseguiu tal feito, e um ainda maior, conseguiu ser mais rigoroso do que dois grandes nomes da literatura portuguesa.

As traduções de "O Corvo" de Edgar Allan Poe:
Machado de Assis