"O Corvo" é um poema de Edgar Allan Poe, provavelmente o mais famoso, e na minha opinião, um dos melhores poemas que já li. A atmosfera sombria, o personagem, a figura do corvo, e aquela frase tão marcante repetidas varias vezes, ("Nunca mais"), fizeram com que eu me apaixonasse por este poema. Infelizmente tenho que admitir que mesmo não dominando o inglês, percebo uma perca enorme com a tradução desta frase. O original é "Nevermore", que tem uma sonoridade bem diferente dá correspondente portuguesa.
Aprofundando-me no quesito tradução, encontrei e li as três principais, uma de Machado de Assis, a que li primeiro, outra de Fernando Pessoa e finalmente a de Milton Amado.
É incrível ver como elas podem ser tão diferentes. Na tradução de Machado de Assis a um certo desprezo pela estrutura original, porém com uma tradução técnica muito bem feita usando palavras adequadas, mesmo que não seguindo a estrutura de Poe.
Já Fernando Pessoa respeita e é fiel a estrutura do poema de Poe, porém erra grosseiramente ao suprimir, por exemplo, o nome de Lenora, nome que aparece varias vezes no poema original. O rigor na tradução não é tão bom como o visto na tradução de Machado e Milton Amado. Por exemplo:
Edgar Allan Poe | Ah, distinctly I remember it was in the bleak December |
Machado de Assis | Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro; |
Fernando Pessoa | Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro |
Milton Amado | Ah! claramente eu o relembro! Era no gélido dezembro |
Este foi um exemplo, evidenciando a tradução de "bleak December", onde Pessoa colocou um simples "frio", enquanto Machado e Milton colocaram, respectivamente, glacial e gélido.
Deixei por ultimo a do menos conhecido, Milton Amado, que fez uma tradução excelente, suficientemente boa para um leigo como eu perceber as suas qualidades. Milton respeita a estrutura original do poema, e ao mesmo tempo, é fiel no uso das palavras conseguindo expressar muito bem o clima criado por Edgar Allan Poe.
Fazer uma tradução de um poema é realmente difícil, e este jornalista mineiro, conseguiu tal feito, e um ainda maior, conseguiu ser mais rigoroso do que dois grandes nomes da literatura portuguesa.
As traduções de "O Corvo" de Edgar Allan Poe:
Machado de Assis